é, morena

“Escrevo para me livrar de mim mesma.”

terça-feira, 13 de outubro de 2009


minha cabeça ambula
contradições.
guarda-calendário,
guarda-dor.



quinta-feira, 17 de setembro de 2009

acordei com uma coisa brilhante pra escrever aqui.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

eu


gritei com você.
não gosto do jeito com que você me olha.

te bati no rosto.
quebrei o espelho.


cortei a mão.


sexta-feira, 24 de julho de 2009


Era um tempo em que caminhávamos juntos, onde haviam pedras, mas também planos e caminhos. Houve um dia em que você se escondeu pelos cantos, velou segredos, contou mentiras, ficou calado.


Te procurei, falei baixinho.
(no fundo eu sabia: é melhor deixar passar, têm horas que a gente precisa só da gente)

Contei aos outros que ainda perguntavam, que não sabia mais de ti. Até chorei, mas nem foi tanto. Vez ou outra te via, te sorria. E houve então o tempo que aprendi a caminhar sozinha, mas não sem pesar: sempre restavam aqueles pedaços de lembranças. Mas feito as peças daqueles jogos que a gente brinca quando é criança, as memórias vão se perdendo com os dias.
Houve o tempo em que senti sua falta. Houve o dia que você me traiu. Agora sinto saudades da saudade que não sinto mais.


obs1.: frio.
obs2.: frio.
obs3.: frio.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

então,
não chora assim
não corra mais
do que quem quis
olhar um sol
morrer.
ao amanhecer
faz-se outra vez
a canção que
rima o sal
a
imensidão
o que foi um
o que foi nós
não foi em
vão.

sábado, 4 de julho de 2009

de volta em volta.


falei por horas de um sonho que havia esquecido, dizia pra ele que as horas passavam, que o tempo passava, mas era só pra que houvesse futuro. dizia coisas óbvias como o sol que nasce ou a água que escorre do céu com nome de chuva. dormia um sono que acordava em cada breve hora em se sentia os apelos dos teus gestos voltando de ante mão, ante mim. esqueci, esqueci os dias, esqueci os últimos milhares de segundos, não implorava ao raciocínio qualquer saída prática para qualquer que fosse a ação. exauri meu corpo em práticas que não me levavam a produzir sentido racional. fechava os olhos como quem pede uma saída a qualquer dose, que hoje se ganham até na pescaria. nas dobras se guardam muitas coisas, nos dias, alguns pesares, pés de galinha e de coelho. então, que se vomitem os dias, depois as noite, as lembranças, as vidas que se foram. que se vomite a sanidade e sobre todos se deite o pano pesado da insânia. que em alguma língua insânia rime a perseverança.

e se possa
ir.


terça-feira, 2 de junho de 2009

na medida do atrasada sempre possível.

sábado, 23 de maio de 2009


Não era preciso escrever respostas a ninguém. Não precisava erroneamente tentar as encontrar em seu corpo, em seus papéis, em seus pensamentos, e diagnósticos. Nem nas palavras de um estranho que caminhava. Nesses dias, como em tantos outros, em suma, só precisava vê-los trocar de rosto, amanhecer fosse qual fosse a nova cor. Não era possível, e assim, pouco a pouco entendia, que como em exames, definisse numericamente a quantidade exata das substâncias referentes a obrigações, vontades e necessidades. Nunca tivera previsto que segredara segredos de si, já que se dizia simples conhecedora suprema de seus sentires. Notou então: não era muito melhor do que ninguém. Não sei por que tentara ocultar essa frase que lhe surgira tantas vezes, talvez porque lhe parecesse em demasia soberba para que ela própria dissesse. Nesse momento a escrevia em caixa alta para que todos lessem, escrevia em seus olhos também, para caso restasse dúvida a ela mesma quando se olhasse no espelho. No entanto, não ser muito melhor do que ninguém, para ela, incluía a parte de não se sentir algo. Não tinha já habilidade alguma e seu raciocínio estava esgotado o bastante, tinha vergonha de si. Negociava consigo mesma razões para continuar a estar onde estava, assim, ligava-se mais uma vez a obrigatoriedade, já que o espaço que ocupava não era o desejado. Noite, optou por ouvir os ecos dos últimos gritos que ainda reverberavam pela casa e resvalavam nos poros de si, até que dormiu.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

nó cego


os nós enxergavam,
desatados no outono
sentiam frio.

sábado, 9 de maio de 2009

cata-vento


quis fazer uma poesia

sobre um vento catado,
mas sem saber,
ele pegou-a no vento
antes mim.
fiquei só.
calada da noite,
sem palavra.