Não era preciso escrever respostas a ninguém. Não precisava erroneamente tentar as encontrar em seu corpo, em seus papéis, em seus pensamentos, e diagnósticos. Nem nas palavras de um estranho que caminhava. Nesses dias, como em tantos outros, em suma, só precisava vê-los trocar de rosto, amanhecer fosse qual fosse a nova cor. Não era possível, e assim, pouco a pouco entendia, que como em exames, definisse numericamente a quantidade exata das substâncias referentes a obrigações, vontades e necessidades. Nunca tivera previsto que segredara segredos de si, já que se dizia simples conhecedora suprema de seus sentires. Notou então: não era muito melhor do que ninguém. Não sei por que tentara ocultar essa frase que lhe surgira tantas vezes, talvez porque lhe parecesse em demasia soberba para que ela própria dissesse. Nesse momento a escrevia em caixa alta para que todos lessem, escrevia em seus olhos também, para caso restasse dúvida a ela mesma quando se olhasse no espelho. No entanto, não ser muito melhor do que ninguém, para ela, incluía a parte de não se sentir algo. Não tinha já habilidade alguma e seu raciocínio estava esgotado o bastante, tinha vergonha de si. Negociava consigo mesma razões para continuar a estar onde estava, assim, ligava-se mais uma vez a obrigatoriedade, já que o espaço que ocupava não era o desejado. Noite, optou por ouvir os ecos dos últimos gritos que ainda reverberavam pela casa e resvalavam nos poros de si, até que dormiu.